Clínica do Joelho e Ombro - Prof. Gutierres - Médicos e Ortopedia

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LUXAÇÃO DO OMBRO
 
Uma luxação do ombro ocorre quando o úmero se separa da omoplata, ao nível da articulação gleno-umeral. Dado que o ombro apresenta uma grande amplitude de movimentos, é muito vulnerável a este tipo de lesões. 
 
Geralmente ocorre devido a um traumatismo com o braço em abdução e rotação externa, o que faz com que a cabeça umeral se desloque anteriormente, provocando roturas da cápsula articular e arrancamento do labrum glenóide na sua porção antero-inferior (a chamada lesão de Bankart).
 
No entanto, as luxações podem ser de vários tipos consoante a posição da cabeça umeral:
• Anteriores
• Posteriores
• Superiores
• Inferiores
 


Quando a lesão de Bankart ocorre, e especialmente em doentes jovens e com uma certa laxidez ligamentar, é provável que haja uma tendência para que se volte a repetir originando as luxações recidivantes do ombro (sinal de instabilidade crónica).
 
Tratamento
• Fisioterapia
Quando os episódios de luxação são pouco frequentes e em doentes com mais de 30-40 anos de idade, a fisioterapia apresenta bons resultados. 
Baseia-se no desenvolvimento da musculatura periarticular, em especial dos rotadores internos e/ou externos, e no treino proprioceptivo, de forma a aumentar a estabilidade da articulação.
 
• Cirurgia
Quando os episódios de luxação são frequentes, é necessária a intervenção cirúrgica, por via aberta ou artroscópica, de modo a estabilizar a articulação.
 
• Fixação do labrum (operação de Bankart)
Consiste em, através de pequenas inscisões através do qual se colocam os instrumentos de artroscopia, fixar a zona do labrum que está desinserida de forma a repor a anatomia original da articulação.
 
É executada colocando no rebordo antero-inferior da glenóide pequenos implantes em metal ou materiais reabsorvíveis, com a função de ancorar fios de alta resistência através dos quais aquela lesão é fixada.
 
Obriga a uma muito cuidada reabilitação e um retorno à competição não antes dos 4-6 meses de forma a prevenir a recidiva.
 


 

• Transferencia da coracóide (operação de Latarjet)
Este tipo de cirurgia reserva-se habitualmente para doentes com múltiplos episódios de luxação (> 5-6), com lesões ósseas associadas, hiperlaxos, geralmente muito jovens (< 20 anos) ou então que pratiquem desportos de contacto de alta competição.
 
Obriga geralmente a uma incisão na face anterior do ombro através da qual se transfere uma pastilha óssea da coracóide para a parte antero-inferior do rebordo glenóide fixando-a com um parafuso com anilha. Esta técnica denominada Operação de Bristow-Latarjet, actua através da formação de um batente ósseo que impede a cabeça umeral de migrar para fora da articulação.
 
Tem uma muito baixa taxa de recidiva, mas se não correctamente efectuada poderá provocar uma discreta limitação da rotação externa.
 
 
Atualmente, em casos selecionados, efetuamos também esta técnica de Latarjet por via artroscópica com as vantagens inerentes à cirurgia mini-invasiva.