O que são Tendinites do Joelho

O que são Tendinites do Joelho

As tendinites são inflamações dos tendões que existem em redor da articulação do joelho, levando muitas vezes os pacientes a procurar o seu médico especialista do joelho.

São causa frequente de dor no joelho e resultam, geralmente, de situações de sobrecarga de esforço, nomeadamente como a que ocorre durante a prática desportiva, quer seja em atletas de alta competição, quer em desportistas de fim de semana.

O diagnóstico faz-se, primordialmente, pela discriminação das características da dor, especificando: a localização; o carater inflamatório; o fator desencadeante (geralmente o exercício de elevada intensidade) e a resposta que este quadro apresenta à medicação anti-inflamatória, repouso e gelo.

Por vezes, pode ser visível edema e tumefação na região afetada pela tendinite e a palpação do local da dor pode ajudar a identificar a estrutura do joelho afetada pela tendinite.

Habitualmente, como exames auxiliares de diagnóstico, recorre-se à Ecografia e a Ressonância Magnética do joelho, pela sua elevada sensibilidade e especificidade para identificar patologia das partes moles. Os exames radiológicos poderão revelar desvios axiais dos membros inferiores que são também fator etiológico, assim como pequenas calcificações nas inserções tendinosas (as chamadas entesopatias).

O tratamento das tendinites do joelho, de uma forma geral passa por fazer redução da atividade física (ou mesmo repouso), anti-inflamatórios e aplicação de gelo.

Um programa de reabilitação (Fisioterapia) adaptado e preparado pelo seu médico especialista em Medicina Física e Reabilitação é importante para acelerar o processo de recuperação e eventual retoma desportiva.

Raramente existe indicação para cirurgia de tratamento de tendinites, pelo que esta deve ser muito bem ponderada pelo seu ortopedista. Reserva-se para tendinopatias crónicas, resistentes ao tratamento conservador e com roturas parciais ou completas associadas.

Veja em seguida especificamente quais são as tendinites/bursites mais frequentes ao nível do joelho e a sua forma de tratamento individualizado:

Tendinite Rotuliana ou Patelar

A tendinite do rotulianos ( ou tendinite patelar) é das causas mais frequentes de dor anterior do joelho. Ocorre geralmente em desportistas de modalidades que obrigam a impulsão, como o basquetebol, voleibol e andebol, sendo por isso designadas como integrando o “Jumpers knee”. Está associada a exercício de alta intensidade, mas também ocorre e desportistas ocasionais.

A dor que a tendinite rotuliana ou patelar origina, pode ser tão intensa que origina acentuada limitação funcional, obrigando a paragem da atividade desportiva ou redução do nivel de performance.

Em casos mais graves e de duração arrastada, a inflamação crónica do rotuliano pode originar fragilização progressiva dos tecidos, com aparecimento de micro-roturas e eventual evolução para uma rotura completa e total do tendão. Em casos muito resistentes a estes tratamentos e que condicionem grande incapacidade funcional a infiltração com corticosteroides deve ser efetuada com ponderação em face dos riscos acrescidos de rotura tendinosa, especialmente quando aplicada múltiplas vezes.

A infiltração com PRP´s (fatores de crescimento derivados das plaquetas), é considerada na bibliografia, como tendo um efeito analgésico local e de melhoria do processo de regeneração.

O prognóstico do “Jumpers knee” depende de uma série de fatores como o tempo de evolução e intensidade dos sintomas, biótipo/peso do atleta, morfologia dos joelhos, tipo e intensidade da modalidade desportiva praticada. A idade também afeta decisivamente o tempo de recuperação, sendo obviamente mais curto em atletas mais jovens.

A cirurgia é considerada um último recurso para o tratamento destes tipos de patologias e consiste em efetuar um desbridamento dos tecidos degenerados, com cruentação do polo inferior da rótula e, se necessário, efetuar a reinserção de eventuais zonas de rotura tendinosa.

Pelos riscos de eventuais complicações, nomeadamente a rotura completa do tendão, a recuperação no pós-operatório deve ser sempre muito cautelosa, respeitando os timings de cicatrização dos tecidos envolvidos e sob supervisão de médicos especialistas de Ortopedia e Fisiatria.

Tendinite Quadricipital

A tendinite quadricipital origina dor anterior do joelho, mais precisamente na região imediatamente acima da rótula, região supra-patelar, onde se insere o tendão quadricipital.

É provocada por excesso de exercício e carga elevada, embora atinja mais frequentemente pacientes com idades mais avançadas.

A sua intensidade é variável, mas pode evoluir para a cronicidade, com degenerescência progressiva e eventualmente rotura, pelo que deve ser tratada conscienciosamente com redução de atividade e um programa de reabilitação adequado ao atleta e modalidade em causa.

Síndrome da Banda Íleo-Tibial

O síndrome da banda íleo-tibial é a inflamação da banda localizada na face lateral da articulação junto da zona de inserção do tendão do tensor da fáscia lata. Resulta da fricção ou atrito desta estrutura sobre o côndilo lateral do fémur.

É uma das causas mais frequentes de dor ou síndrome de sobrecarga (ou “over-use”) do joelho na consulta de medicina (ou traumatologia) desportiva. Afeta especialmente os praticantes de atletismo (“runners knee”) e ciclismo.

O síndrome da banda íleo-tibial resulta geralmente da pratica de atletismo sem um adequado alongamento das estruturas da face posterior da coxa (ísquio-tibiais) previamente e no final do treino ou da prova. Os movimentos repetidos com uma tensão excessiva dessas estruturas estão na génese da inflamação. A existência de diferenças de comprimento (dismetrias) ou desalinhamento dos membros (joelhos varus), assim como a utilização de calçado inadequado, poderão também contribuir para o aparecimento da dor na face lateral do joelho que caracteriza este síndrome da banda íleo-tibial.Embora ocorra mais frequentemente em desportistas, principalmente em desportos que envolvam corrida, pode também desenvolver-se em praticantes de caminhadas ou em doentes que não exerçam qualquer atividade desportiva regular.

Os principais sinais e sintomas deste síndrome são dor na face lateral do joelho que geralmente surge ao fim de alguns minutos da prática de corrida e se vai tornando mais intensa com o aumento da distância percorrida. Algum edema na zona atingida também poderá ser visível ou palpável.

O diagnóstico do síndrome da banda íleo-tibial é feito pelo seu médico ortopedista, especialista em joelho pelo tipo e localização das queixas dolorosas, o seu modo de aparecimento habitualmente associado á corrida, assim como pelo exame físico característico, em que a dor e a crepitação surgem com a palpação da banda íleo-tibial junto ao côndilo femoral. A retração dos ísquio-tibiais também pode ser objetivada. Habitualmente a realização de Ressonância Magnética (RM) do joelho permite a confirmação do diagnóstico, pela visualização de uma zona de hipersinal na zona afetada.

Na fase aguda o repouso, a aplicação de gelo e os anti-inflamatórios são essenciais para o alívio e tratamento das queixas do paciente. A Fisioterapia atua através do alongamento progressivo e continuado das estruturas da face posterior da coxa, anulando a retração dos ísquio-tibiais com exercícios específicos. A aplicação de agentes anti-inflamatórios locais, ou mesmo o recurso a infiltração com corticosteroides, pode acelerar o processo de recuperação.

A cirurgia para o tratamento do síndrome da banda ileo-tibial deve ser reservada para situações em que o tratamento conservador (Fisioterapia) não tenha sido eficaz. O procedimento cirúrgico consiste no alongamento da banda ileo-tibial através de uma plastia em Z, desta estrutura. A correção do varismo do membro inferior pode ser efetuada através de uma osteotomia de valgização em casos em que este fator predisponente esteja confirmado. Não é um procedimento isento de riscos ou complicações pelo que o recurso a cirurgia deve ser adequadamente ponderada.

Tendinite ou Bursite da Pata de Ganso

A tendinite da pata de ganso é uma das causas mais frequentes de tendinite do joelho em que existe uma inflamação dos tendões da face medial da articulação, nomeadamente o semi-tendinoso, semi-membranoso e gracilis, que constituem o pes anserinos. Por vezes, a bursa que envolve estes tendões está também inflamada originando a bursite da pata de ganso.

A tendinite da pata de ganso atinge especialmente as mulheres a partir da meia idade, com joelhos valgus, pés planus, algum excesso de peso e que tenham efetuado recentemente um esforço de marcha. Outras causas frequentes deste tipo de tendinopatia são traumatismos, osteoartrose ou patologia reumatismal, e mesmo lesões do menisco adjacente. A atividade desportiva excessiva (“over training”) como, por exemplo, a prática de atletismo em subidas, também pode originar o seu aparecimento.

Os principais sinais e sintomas são dor na face medial do joelho, especialmente a subir e descer escadas, ao dobrar o joelho ou ao levantar da posição de sentado. Poderá ser visível alguma tumefação e edema (inchaço) na região afetada.

A palpação local desperta a dor e ajuda ao diagnóstico. Uma história clinica corretamente colhida, um cuidadoso exame físico, adjuvados por métodos auxiliares de diagnóstico como raio X do joelho, ecografia do joelho e Ressonância Magnética (RM) do joelho poderão ser essenciais. Ajudam na identificação das causas e a visualização do edema e acumulação de líquido que envolve as estruturas tendinosas e partes moles adjacentes.

Na fase aguda, o tratamento da tendinite da pata de ganso passa por: repouso; aplicação de gelo e toma de medicamentos (ou remédios) anti-inflamatórios. A Fisioterapia tem um papel preponderante no tratamento da inflamação local, no reforço quadricipital e no treino sensoriomotor (com base instável – Bosu). A infiltração com corticosteroides é um tratamento de recurso, que pode proporcionar um alívio rápido e muitas vezes duradouro dos sintomas, mas deve ser aplicado de forma ponderada pelo seu médico especialista de Ortopedia ou Fisiatra.

A cirurgia (ou operação) apenas tem indicação em casos nos quais o fator causal da tendinite só é passível de correção através de uma intervenção, como a artroscopia (em casos de lesão meniscal) ou osteotomia para correção do eixo do joelho. A artroplastia do joelho reserva-se para doentes mais idosos e no qual a artrose tenha um grau avançado de atingimento da articulação.